Quanto custa mesmo ter um filho em Portugal? As contas do pior (e melhor) "negócio" do mundo

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Se tentasses avaliar a decisão de ter um filho usando a mesma lógica de um investimento financeiro, a conclusão seria rápida: estou fora!

Felizmente, não temos filhos pelo retorno financeiro, mas sim pelo retorno emocional: o primeiro abraço, as gargalhadas sumarentas, o orgulho de acompanhar o seu crescimento e a cumplicidade para a vida. São coisas que não têm preço - e ainda bem, porque se a humanidade funcionasse apenas à base do Excel, a nossa espécie já era.

Mas se o retorno de ter filhos é impossível de medir, todo o "investimento" que é preciso para criar uma criança em Portugal é bem mais mensurável. E é aí que entra o Feitas as Contas.

Feitas as Contas

Fomos calcular a conta para um estilo de vida de classe média, em dois cenários reais de educação (público vs. privado).

Cruzámos as variáveis mais comuns às despesas familiares em Portugal, abrangendo alimentação, saúde, entretenimento & lazer, vestuário e, claro, educação. Deixámos de fora a necessidade de um carro ou de uma casa maiores, dada a subjetividade dessas escolhas e a diversidade de cenários possíveis.

O resultado? Criar um filho até aos 18 anos custa quase 120 mil euros no ensino público. Dá 550 € por mês, todos os meses, durante 18 anos.

Com um filho no privado, a conta sobe para cerca de 217 mil euros, ou seja, 1.000 € por mês!

E tu, como é que isto se compara com a tua realidade? Abaixo mostramos mais detalhe sobre as contas feitas. Cada valor pode ser ajustado à realidade da tua família.

A análise por trás dos números

  1. Os primeiros 36 meses: só até aos 3 anos, entre comida, fraldas (~1.170 €), consultas de pediatria, vacinas extra-Programa Nacional de Vacinação e o enxoval/transporte inicial, voam cerca de 11 mil euros da conta bancária. Isto mesmo que consigas vaga na Creche Feliz e a creche vá a zero.
  2. A maior fatia é a comida: pequenos-almoços, lanches, jantares e as refeições dos fins de semana somam cerca de 52 mil euros em 18 anos, perto de 240 € por mês. Juntando a cantina, a alimentação vale quase metade da conta no público. No privado, a refeição escolar custa mais do triplo (5 € vs. 1,46 €) e acrescenta quase 10 mil euros. E isto sem contar com os assaltos ao frigorífico ou à despensa para matar o "ratinho" dos adolescentes!
  3. Saúde e crescimento: uma criança pode trocar de número de pé várias vezes por ano na infância! Junta-lhe o seguro de saúde e o custo de um aparelho ortodôntico (entre colocação e manutenções) e percebes porque é que saúde e vestuário somam mais de 19 mil euros ao longo do período.
  4. Educação, a grande variável: é a decisão do ensino privado que altera radicalmente a balança. Entre creche, propinas e taxas administrativas, tipicamente entre 350 € e 450 € por mês consoante o ciclo, o colégio privado acrescenta mais de 80 mil euros diretos ao custo total do percurso.

O incalculável vs. o que se consegue medir

O ponto aqui não é desencorajar ninguém a ter filhos, antes pelo contrário. A vida não é uma folha de cálculo e as melhores coisas da existência humana raramente fazem sentido num balancete financeiro, mas convém saber com o que contamos.

Ter esta noção não é ser frio nem desapaixonado, é ser pragmático. Da próxima vez que alguém num jantar disser que ter um filho "é só juntar mais água à sopa e não custa nada", podes sorrir e dizer: "O amor que se recebe não tem preço… mas a parte mensurável anda aí entre os 550 € e os 1.000 € por mês."

Se quiseres ter acesso ao ficheiro com o detalhe das contas feitas, podes contactar-me aqui.

Nota de transparência: este cálculo é um exercício analítico e recreativo. Embora os valores procurem ser o mais exatos e realistas possível com base em fontes oficiais e preços de mercado, a abrangência do tema faz com que estes números sejam naturalmente uma aproximação. Cada família tem o seu contexto, as suas prioridades de consumo e especificidades próprias que alteram a conta final.

Gostas de ver a realidade traduzida em números claros, sem tabus e sem romantismos? Subscreve a newsletter "Feitas as Contas" e recebe regularmente uma análise pragmática ao custo das coisas no teu e-mail.